ERP com IA: como o Vibe Coding impacta desenvolvedores e empresas de TI?

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ERP com IA e Vibe Coding transformam o desenvolvimento e exigem novas arquiteturas, competências e governança. Entenda!


É fato que o ERP com IA altera a forma de desenvolver software. Ferramentas generativas, agentes inteligentes e o movimento conhecido como Vibe Coding permitem criar códigos e protótipos em menos tempo. 

Isso muda o perfil do desenvolvedor, acelera entregas e cria desafios novos de arquitetura, segurança, governança e integração que toda empresa de TI precisa encarar agora. 

Para software houses, a provocação que fica é: como continuar relevante quando a IA também desenvolve software? 

O que é e como funciona um ERP com IA agêntica?

Um ERP com IA agêntica combina o núcleo transacional do sistema com agentes capazes de interpretar objetivos, acessar ferramentas, planejar ações e executar etapas de um processo.

Um chatbot normalmente responde a uma solicitação. Um agente pode ir além ao consultar informações, comparar alternativas, acionar uma API, registrar uma decisão e acompanhar o resultado, desde que receba as permissões e os limites adequados.

Na prática, um agente conectado ao ERP poderia:

  • Identificar títulos com risco de atraso;
  • Priorizar cobranças;
  • Gerar uma previsão de fluxo de caixa;
  • Localizar divergências entre documentos;
  • Sugerir uma compra com base no estoque;
  • Iniciar uma conciliação;
  • Preparar uma aprovação;
  • Explicar a origem de determinado indicador;
  • Executar um fluxo após autorização humana.

O mercado já responde a essa evolução. Estimativas apontam que o mercado global de IA agêntica passou de aproximadamente US$ 7,6 bilhões em 2025 e pode ultrapassar US$ 10,9 bilhões em 2026 (Grand View Research, 2025).

Além disso, uma pesquisa conduzida pela Censuswide com cerca de 4.300 executivos, entre CFOs, CIOs, CISOs e CEOs, mostrou que 33% consideram o ERP agêntico, com decisões autônomas orientadas por IA, o futuro dessa categoria de software.

O que muda ao desenvolver ERP com IA? 

No atual cenário do ERP com IA, o desenvolvedor deixa de ser quem escreve cada linha do zero e passa a ser quem orienta a IA e valida o que ela entrega. Em um ERP, isso significa que módulos inteiros de integração passam por um primeiro rascunho gerado por IA antes de qualquer humano tocar no código. O trabalho técnico se desloca da escrita para a curadoria e isso exige uma bagagem de regra de negócio ainda mais sólida.

Essa mudança virou parte do fluxo padrão de trabalho: entre 84% e 90% dos desenvolvedores já usam ou planejam usar ferramentas de IA no dia a dia, segundo levantamentos recentes da Stack Overflow.

O reflexo disso aparece também em orçamento: um estudo da Deloitte mostrou que a fatia de organizações investindo em ERP passou de 35% em 2024 para 43% em 2025, e a Gartner projeta que os gastos globais com serviços de nuvem pública devem atingir US$ 1,48 trilhão até 2029, sustentando migrações contínuas de ERPs para plataformas cloud. 

O ERP com IA, portanto, representa para onde o investimento em tecnologia de gestão está indo como um todo.

O que é Vibe Coding e como impacta o desenvolvimento de ERP? 

Vibe Coding é uma abordagem na qual a pessoa descreve em linguagem natural o que deseja construir e permite que a IA gere grande parte do código. Em vez de programar cada comportamento diretamente, o profissional orienta, testa e refina o resultado por meio de prompts.

Em organizações com alta adoção dessa prática, entre 30% e 70% do código em produção já é gerado por IA. E não é só chatbot genérico: 74% dos desenvolvedores já adotaram ferramentas especializadas de IA para codificação, com assistentes dedicados ao invés de soluções de propósito geral.

Para quem desenvolve ERP, isso muda o dia a dia de forma concreta. Integrações fiscais, rotinas de cálculo de impostos e conectores com marketplaces, que antes levavam semanas, passam a ser prototipados em horas. O ganho de velocidade é real. Mas ele traz consigo um conjunto novo de riscos que precisa ser gerenciado com a mesma seriedade.

Como o Vibe Coding muda o papel do desenvolvedor?

O Vibe Coding não torna o desenvolvedor desnecessário. Ele desloca parte do valor profissional da digitação do código para a definição do problema e a validação da solução.

O desenvolvedor passa a atuar mais fortemente como:

  • Arquiteto de sistemas;
  • Revisor de código;
  • Especialista em integrações;
  • Guardião de segurança;
  • Projetista de testes;
  • Tradutor de regras de negócio;
  • Gestor do contexto oferecido à IA;
  • Avaliador de riscos e resultados.

Saber escrever prompts ajuda, mas não basta. O conhecimento profundo de bancos de dados, redes, arquitetura, observabilidade e domínio de negócio permite verificar se a resposta rápida da IA também é correta, segura e sustentável.

Para gestores, isso exige uma nova forma de medir produtividade. Número de linhas escritas tem ainda menos valor. Indicadores como qualidade, tempo de entrega, incidentes, retrabalho, experiência do usuário e impacto no negócio são mais adequados.

Homem sorridente usando um laptop. Um texto em português convida proprietários de empresas de tecnologia a participar de um treinamento gratuito com especialistas renomados e masterclasses sobre gestão para empresas de TI em contextos de ERP com IA e Vibe Coding. Os logotipos das organizações patrocinadoras estão visíveis na parte inferior.

Os principais desafios de programar um ERP com IA 

Programar um ERP envolve regras fiscais que mudam por estado, integrações com múltiplos sistemas legados e exigências rígidas de auditoria. Colocar inteligência artificial nesse processo multiplica a velocidade e também os pontos de atenção.

1. Manter dados confiáveis e contextualizados

A IA analisa as informações disponíveis no ERP para gerar respostas e executar ações. Se os dados estiverem incompletos, duplicados ou desatualizados, ela poderá interpretar o cenário de forma incorreta e automatizar decisões com base em informações pouco confiáveis.

2. Transformar o ERP em uma plataforma integrável

Agentes precisam acessar as funções do ERP por APIs seguras e bem documentadas. Isso exige reduzir acoplamentos e modernizar sistemas monolíticos sem comprometer o núcleo da operação.

3. Controlar o que os agentes podem executar

Cada agente deve acessar apenas os dados e recursos necessários. Ações críticas, como pagamentos e cancelamentos, precisam de limites, autenticação e aprovação humana.

4. Garantir explicabilidade e auditoria

O ERP deve registrar quais dados, modelos e ferramentas participaram de cada ação. Essa rastreabilidade permite explicar decisões, investigar erros e comprovar conformidade.

5. Testar comportamentos não determinísticos

Como modelos generativos podem produzir respostas diferentes para a mesma entrada, o ERP com IA exige testes contínuos, cenários adversos e monitoramento além dos testes tradicionais.

6. Proteger informações empresariais

Dados sensíveis não devem ser enviados a modelos sem critérios claros. A software house precisa avaliar privacidade, armazenamento, retenção e isolamento das informações de cada cliente.

7. Gerenciar custo, latência e dependência tecnológica

Agentes podem realizar várias chamadas para concluir uma tarefa, aumentando custos e tempo de resposta. A arquitetura deve prever limites de uso, indisponibilidades e alternativas entre provedores.

Como preparar uma empresa de TI para a era do ERP com IA?

A adoção da inteligência artificial deve acontecer de forma estruturada, com objetivos claros e controle sobre os riscos. Para preparar o ERP com IA, a equipe e os processos para essa evolução, siga estes passos:

  1. Crie uma política para o uso da IA: defina as ferramentas permitidas, os dados que podem ser compartilhados e como o código gerado será revisado.
  2. Modernize a arquitetura e as integrações: desenvolva APIs seguras para conectar agentes e aplicações sem comprometer o núcleo do ERP.
  3. Escolha casos de uso mensuráveis: comece por processos delimitados, de menor risco e com indicadores claros de resultado.
  4. Implemente mecanismos de governança: estabeleça permissões, registros de atividades, revisão humana e limites para ações automatizadas.
  5. Capacite as equipes: prepare profissionais de desenvolvimento, produto, segurança, suporte e negócio para trabalhar com IA.
  6. Reavalie o desenvolvimento interno: identifique o que diferencia o ERP e quais recursos podem ser incorporados por APIs especializadas.
  7. Amplie a adoção gradualmente: avance para processos mais complexos somente após validar segurança, qualidade e retorno.

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Afinal, a IA vai substituir o ERP?

A resposta mais provável é não. A IA deve substituir algumas interfaces, tarefas manuais e formas tradicionais de operar o ERP, mas não a necessidade de um sistema confiável de registro. 

Mesmo com o apoio da IA para interpretar e processar informações, uma empresa ainda precisa saber qual pedido foi confirmado, qual pagamento ocorreu, qual documento foi emitido e quem aprovou determinada operação.

Por isso, o ERP com IA tende a funcionar também como uma infraestrutura de dados, regras e serviços consumidos por pessoas, aplicações e agentes.

Perguntas frequentes sobre ERP com IA e Vibe Coding

O que é um ERP agêntico?

É um ERP conectado a agentes de IA capazes de planejar e executar etapas de um processo. Esses agentes operam dentro de permissões e regras definidas pela organização.

Qual é a diferença entre Vibe Coding e programação tradicional?

No Vibe Coding, a intenção é expressa em linguagem natural e traduzida em código pela IA. Na programação tradicional, o desenvolvedor escreve diretamente a implementação.

Vibe Coding pode ser usado para criar um ERP?

Pode apoiar protótipos e partes do desenvolvimento. Porém, um ERP completo exige arquitetura, segurança, testes, conhecimento de negócio e manutenção que não devem depender apenas de código gerado por IA.

O código gerado por IA é seguro?

Não necessariamente. Ele pode conter vulnerabilidades, bibliotecas inadequadas ou falhas lógicas. Todo código destinado à produção precisa passar por revisão, testes e controles de segurança.

Quais competências serão mais importantes para desenvolvedores na era do ERP com IA?

Arquitetura de software, integração, segurança, testes, análise crítica e conhecimento de negócio ganham relevância. Saber orientar e revisar a IA será tão importante quanto saber programar.

A IA vai substituir o ERP?

Não é a tendência mais provável. A IA deve substituir tarefas e interfaces tradicionais, enquanto o ERP permanece como base confiável de dados, processos, controles e auditoria.

Gabriela Grillo

Gabriela Grillo

Analista de Marketing na TecnoSpeed, especializada em Marketing de Conteúdo. Atua com planejamento editorial e produção de conteúdos estratégicos, otimizados para SEO/GEO/AEO.

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