Layout CNAB 240 v11.0 da Febraban traz split payment, CBS/IBS, CNPJ alfanumérico e duplicata escritural. Veja o que muda nos sistemas.
Atualizado em Outubro de 2026.
A Febraban publicou a versão 11.0 do layout CNAB 240, ainda preliminar. Ela traz três novidades: duplicata escritural vinculada ao boleto, informações de Split Payment com CBS e IBS e CNPJ alfanumérico em todos os campos de CNPJ.
Para quem desenvolve sistemas, o recado é claro: a Reforma Tributária chegou aos arquivos bancários e se o seu software emite boletos, processa retornos ou concilia recebimentos, essa discussão interessa ao seu time. A preparação envolve entender como os dados circulam entre cadastro, faturamento e financeiro.
O que é layout CNAB 240 da Febraban?
O CNAB 240 é um padrão de arquivos bancários com registros de 240 posições. Ele organiza a troca de informações de serviços como cobranças, pagamentos e extratos.
Na cobrança, a remessa leva instruções ao banco. O retorno informa o resultado do processamento e eventos relacionados aos títulos. O ERP interpreta esses dados para atualizar o financeiro.
Um erro nessa comunicação pode afetar a identificação de pagamentos, a baixa de contas a receber e a rastreabilidade das operações.
Por isso, o padrão Febraban CNAB 240 precisa ser acompanhado junto com a documentação da instituição financeira. O sistema deve trabalhar com a especificação efetivamente aceita pelo banco, pelo serviço e pelo convênio utilizado.
Essa distinção ajuda o gestor a dimensionar o projeto. Atualizar uma integração bancária exige validar comportamento, compatibilidade e tratamento dos retornos.
Quais são as novidades da versão 11.0 do layout CNAB 240?
A Febraban divulgou em setembro de 2026 a versão 11.0 do layout CNAB 240. É a primeira revisão do padrão pensada para a Reforma Tributária. Mas, vale destacar que ela é preliminar e a própria Febraban avisou que ainda haverá ajustes antes da versão final.
A versão 11.0 do layout CNAB 240 aponta três frentes que conversam com mudanças regulatórias que já estão em curso. São elas:
| Frente | Indicação no documento | Pergunta para o time de desenvolvimento |
| Duplicata escritural | Novos fluxos ligados ao título eletrônico | Como preservar o vínculo entre os documentos? |
| Split Payment | Informações de CBS e IBS nos fluxos financeiros | Como relacionar o dado fiscal à cobrança e ao recebimento? |
| CNPJ alfanumérico | Adequação dos campos de inscrição | Quais componentes ainda aceitam apenas números? |
1. Duplicata escritural vinculada ao boleto
A duplicata escritural deixa de ser em papel e passa a existir em registro eletrônico. O layout CNAB 240 agora prevê o vínculo entre essa duplicata e o boleto de cobrança. Na prática, o título cobrado e a duplicata que o origina passam a andar juntos no arquivo.
2. Split Payment com CBS e IBS
O Split Payment é o mecanismo da Reforma em que o imposto é separado no momento do pagamento. A Lei Complementar 214/2025 regulamenta a CBS (federal) e o IBS (estadual e municipal). A versão 11.0 leva essas informações para três tipos de arquivo:
- Cobrança: o boleto passa a carregar dados de CBS e IBS.
- Pagamentos: a empresa que paga informa os tributos envolvidos.
- Extratos: o retorno traz o que foi segregado, o que afeta a conciliação.
3. CNPJ alfanumérico em todos os campos de CNPJ
A Instrução Normativa RFB 2.229/2024 criou o CNPJ com letras e números. A Receita Federal gerou o primeiro CNPJ alfanumérico em 31 de julho de 2026. O layout passa a aceitar esse formato em todos os campos que trazem CNPJ. Campo numérico que hoje só aceita dígitos vai precisar aceitar letras.
Por que o novo layout CNAB 240 importa para quem desenvolve sistemas?
Porque o banco muda primeiro e o ERP vem atrás. Quando o padrão Febraban CNAB 240 se move, todo sistema que emite boleto ou concilia extrato sente.
Até hoje, cobrança e fiscal viviam em mundos separados. O boleto cuidava do valor e do vencimento. A nota cuidava dos impostos. Com a versão 11.0, essas duas pontas começam a se encontrar dentro do mesmo arquivo.
Isso cria três efeitos diretos:
- Integração entre módulos: o módulo de cobrança vai precisar ler dados fiscais da nota.
- Conciliação mais complexa: o valor que entra na conta pode não ser o valor bruto do boleto, por causa do Split Payment.
- Cadastro e validação: toda rotina que trata CNPJ como número precisa ser revista.
“A maior mudança não é o campo novo no arquivo, é a conversa entre o financeiro e o fiscal dentro do sistema. Quem mapear isso agora vai ter uma adaptação muito mais tranquila quando a versão final sair.” — Renan Freitas, Responsável de Negócios da TecnoSpeed.
Por que a Reforma Tributária aproxima fiscal e financeiro?
Imagine um ERP no qual a emissão da nota conhece os tributos, mas o financeiro recebe apenas valor, vencimento e cliente. Esse desenho merece revisão diante de processos que dependam da relação entre documento fiscal e transação.
O principal desafio será garantir coerência entre informações produzidas em momentos diferentes.
A nota foi alterada? O recebível foi parcelado? Houve pagamento parcial? O modelo de dados precisa permitir que o time investigue essas situações sem perder a origem da operação.
Um fluxo conceitual para esse diagnóstico é:
A operação comercial origina documento fiscal e cobrança. Seus dados se conectam à integração bancária, cujo retorno alimenta a conciliação e a rastreabilidade.
O desenho representa uma recomendação de organização do software, não um fluxo obrigatório definido pela Febraban.
O que revisar na conciliação?
Como recomendação de projeto, preserve separadamente os valores da operação, os eventos de pagamento e os dados necessários para explicar diferenças. Evite substituir informações originais por um único saldo atualizado.
Exemplo hipotético: uma cobrança de R$ 1.000 gera um crédito de valor diferente. Antes de registrar uma divergência, o sistema precisa identificar a causa: pagamento parcial, tarifa, desconto ou, quando aplicável, segregação tributária.
O exemplo não define alíquotas nem regras de Split Payment. Ele mostra por que uma baixa automática precisa de contexto.
O layout CNAB 240 versão 11.0 já é obrigatório?
O manual preliminar consultado não estabelece uma data universal de migração dos bancos. Também não permite concluir que seus detalhes serão mantidos na publicação definitiva. Para planejar a entrega, acompanhe três marcos distintos:
- Especificação: qual documentação foi consolidada?
- Disponibilidade: o banco oferece o fluxo e um ambiente de homologação?
- Obrigatoriedade: qual regra exige a adoção, para quais operações e em qual prazo?
Há, porém, avanços oficiais além do CNAB 240 da Febraban. Em comunicado de 30 de setembro de 2026, a Receita Federal anunciou testes de integração entre prestadores de serviços de pagamento e a Plataforma Pública do Split Payment a partir de 15 de outubro de 2026.
Esse marco é de testes de integração e não equivale a uma obrigação geral de atualizar todos os ERPs nessa data.
Como preparar seu sistema para o novo layout CNAB 240?
A preparação começa com um diagnóstico que o time possa usar depois. O objetivo é reduzir incerteza e identificar dependências.
1. Mapeie os dados e seus responsáveis
Liste onde ficam documento fiscal, recebível, cobrança, identificadores e histórico de pagamentos. Registre qual módulo produz cada dado e quem pode alterá-lo. Sem essa definição, integrações tendem a acumular correções pontuais.
2. Catalogue as integrações bancárias
Organize bancos, serviços, convênios, versões homologadas e canais utilizados: CNAB, API ou transmissão automatizada. Esse inventário ajuda a reconhecer quais clientes e processos podem ser afetados por uma mudança.
3. Revise a rastreabilidade
Verifique se é possível sair de um recebimento e chegar à cobrança e à operação que o originaram. Considere parcelamentos, renegociações, cancelamentos e reprocessamentos. São situações úteis para avaliar a qualidade dos vínculos internos.
4. Separe diagnóstico de implementação
Crie um backlog de investigação com riscos, responsáveis e dependências externas. Reserve a implementação dos novos campos bancários para especificações consolidadas e homologação disponível.
Já as correções independentes, como compatibilidade com CNPJ alfanumérico, devem seguir seu próprio planejamento.
5. Prepare a estratégia de validação
Quando houver documentação aplicável, valide remessa, retorno, rejeições e compatibilidade com os fluxos existentes. Inclua controles contra processamento duplicado (um retorno importado duas vezes não pode produzir duas baixas).
Onde a API de Boleto da TecnoSpeed entra nessa preparação?
Cada nova versão do padrão Febraban CNAB 240 significa estudar manuais, adaptar arquivos e homologar banco por banco. Com a API de boletos da TecnoSpeed, seu sistema se conecta a vários bancos por uma única integração e as atualizações de layout ficam com a gente.
Ao integrar nossa API, é possível reduzir a dispersão de layouts e rotinas bancárias dentro do ERP. O time pode dedicar mais atenção ao modelo de negócio e à qualidade dos dados.
FAQ sobre layout CNAB 240 e Reforma Tributária
O que é layout CNAB 240?
É um padrão de arquivos bancários com registros de 240 posições, utilizado na comunicação de serviços como cobrança, pagamentos e extratos.
O que muda na versão 11.0 do Febraban CNAB 240?
Entram três novidades: duplicata escritural vinculada ao boleto, informações de Split Payment com CBS e IBS e CNPJ alfanumérico em todos os campos de CNPJ.
A versão 11.0 do layout CNAB 240 já é obrigatória?
Não. A versão é preliminar e ainda terá ajustes. Os prazos de obrigatoriedade dependem de regulamentações da reforma tributária ainda em andamento.
Qual a relação entre CNAB e Reforma Tributária?
Os fluxos financeiros precisarão conversar com dados tributários. Para o ERP, isso exige revisar a ligação entre faturamento, cobrança e conciliação.
Usar API elimina os impactos dessas mudanças?
A API pode simplificar a comunicação, mas o sistema continua responsável por fornecer dados válidos e interpretar corretamente os resultados.
O que a software house pode fazer agora?
Mapear integrações, revisar vínculos entre módulos e corrigir incompatibilidades cadastrais. As mudanças bancárias devem seguir documentação consolidada e homologação.