Veja como a Reforma Tributária e os novos impostos afetam o crédito tributário e os preços dos produtos na sua empresa.
A Reforma Tributária brasileira está em processo de implementação e promete transformar de forma significativa a forma como as empresas lidam com seus tributos, principalmente no que diz respeito ao crédito tributário. Essa mudança impacta diretamente a gestão tributária das empresas, influenciando desde o custo dos produtos até a forma como os tributos serão apurados e compensados.
Neste artigo, vamos explicar o que é o crédito tributário, como ele será afetado pela Reforma Tributária e como sua empresa pode se adaptar a essas mudanças.
Fique atento, pois entender essas alterações é essencial para manter a competitividade e a eficiência fiscal.
O que é crédito tributário?
O crédito tributário é o valor pago a mais em tributos durante o processo de produção ou comercialização de bens e serviços. Ele pode ser compensado com impostos devidos nas etapas seguintes da cadeia produtiva. Em outras palavras, trata-se de um direito das empresas de “recuperar” ou “compensar” os impostos pagos na aquisição de insumos ou na realização de operações.
Esse mecanismo é fundamental para evitar a dupla tributação e garantir que as empresas não paguem impostos sobre impostos, o que impactaria diretamente no custo de seus produtos e serviços.
Como a Reforma Tributária impacta o crédito tributário?
A Lei Complementar nº 214, de 16 de janeiro de 2025, no qual trata da implementação do IBS CBS e do Imposto Seletivo (IS), instituídos pela Reforma Tributária. Além disso, a lei altera diversas normas tributárias, trazendo uma das principais mudanças na gestão dos créditos tributários, especificamente no que diz respeito à apuração e compensação dos tributos, devido à criação do IBS e da CBS.
A Lei Complementar também trata da compensação de créditos tributários, especialmente na relação com os benefícios fiscais relacionados ao ICMS, IBS, e CBS. A compensação poderá ser feita com a CBS, mas não poderá ser utilizada para outros tributos, como o ICMS ou o PIS/Pasep.
A Reforma Tributária tem o objetivo de simplificar o sistema de impostos do Brasil. Contudo, isso também gera mudanças importantes no crédito tributário que precisam ser entendidas. Vamos analisar as principais mudanças:
1. Unificação de tributos
Com a proposta de criação do IBS – Imposto sobre Bens e Serviços e da CBS – Contribuição sobre Bens e Serviços , que substituirá impostos como o ICMS, IPI, PIS e Cofins, o sistema de crédito tributário será alterado. Agora, os crédito tributário poderá ser compensado com os novos impostos, o que modifica a forma como as empresas apuram seus créditos. A principal mudança será na apuração do crédito, que se tornará mais simples e centralizada, mas exigirá que as empresas adaptem seus processos contábeis.
2. Compensação dos créditos tributários
A reforma tributária possibilita que as empresas utilizem o crédito tributário de maneira mais estratégica. Com a criação do IBS e da CBS, as empresas poderão compensar o imposto pago nas compras de insumos diretamente com o imposto devido nas operações de venda, o que deve trazer mais eficiência tributária. A LC 214/2025 cita que a compensação de créditos e benefícios fiscais será regulamentada pela Receita Federal, com prazos de apuração e de devolução de valores que precisam ser pagos indevidamente. A Lei também detalha como a Receita Federal tratará a compensação e o reconhecimento dos créditos .
3. Transição para o novo sistema
A transição entre o sistema atual e o novo modelo com Reforma Tributária será gradual. Durante esse período, as empresas ainda poderão usar os créditos tributários conforme as regras antigas. No entanto, ao longo do tempo, será necessário adaptar todos os processos para o novo sistema. A transição exigirá que as empresas estejam atentas às mudanças para garantir que não deixem de utilizar créditos de maneira adequada.
Como serão administrados?
Existem diversas questões que ainda precisam ser debatidas, como: Quando ocorrerá a compensação dos créditos? Qual será o prazo para utilizá-los? Como será feito o acompanhamento? Essas perguntas ainda não têm respostas definitivas, mas já existem algumas diretrizes em andamento.
O que está mais avançado é que, ao contrário do sistema atual – no qual o direito ao crédito era gerado a partir da escrituração e envio de obrigação acessória –, agora o valor efetivamente pago de imposto no documento fiscal será o principal critério para determinar quem poderá transferir os créditos. Esta é uma mudança significativa, pois exige um controle mais preciso do que foi realmente pago, ao invés de depender somente da escrituração dos documentos fiscais para gerar o direito ao crédito.
A expectativa é que o governo federal desenvolva um sistema unificado para consultas e monitoramento dos créditos tributários, hoje já muito chama como apuração assistida. Esse sistema ajudará a evitar erros, como a dedução de créditos que não foram efetivamente gerados ou pagos, minimizando o risco de uma compensação indevida.
Como o crédito tributário impacta o preço do seu produto?
O impacto do crédito tributário no preço final de produtos e serviços será considerável, especialmente durante o período de transição. Vamos entender como isso pode afetar sua empresa:
- Possível aumento de custos: A adaptação ao novo sistema pode exigir um esforço considerável em termos de sistemas contábeis e treinamento da equipe. Durante a transição, é possível que algumas empresas não aproveitem todo o crédito tributário disponível, o que poderá aumentar o custo de produção. Esse custo extra pode ser repassado para os consumidores, elevando o preço final dos produtos.
- Eficiência tributária: Empresas que conseguirem se adaptar rapidamente ao novo sistema de compensação de crédito tributário podem reduzir seus custos, aumentando sua competitividade no mercado. A compensação mais eficiente pode ajudar a reduzir a carga tributária, o que pode resultar em preços mais competitivos.
- Preços mais transparentes: A unificação dos tributos pode trazer mais transparência ao processo de precificação, uma vez que o IBS será um imposto único e centralizado. Isso pode facilitar o cálculo do impacto tributário nos preços dos produtos e serviços, tornando mais claro como os tributos influenciam o custo final.
Como se preparar para as mudanças?
Para garantir que sua empresa não seja prejudicada pelas mudanças na Reforma Tributária, é essencial que ela se prepare adequadamente. Aqui estão algumas ações recomendadas:
- Adapte o sistema contábil e fiscal: Com a entrada em vigor do IBS, as empresas precisarão adaptar seus sistemas para a apuração do crédito tributário de maneira centralizada. Investir em software de gestão tributária e garantir que todos os processos estejam alinhados com as novas exigências é fundamental.
- Acompanhe as regulamentações: O sistema tributário brasileiro é complexo e as regulamentações para a Reforma Tributária podem sofrer ajustes. Manter-se atualizado com as novas regulamentações e entender como elas afetam sua empresa ajudará a evitar erros na apuração dos créditos e na compensação dos tributos.
- Conte com consultoria especializada: Devido à complexidade das novas regras, pode ser interessante contratar uma consultoria tributária especializada para ajudar a sua empresa a entender e implementar as novas exigências de forma eficiente. Isso é especialmente importante para empresas que lidam com grandes volumes de operações fiscais.